Descrição das atividades / Gratas surpresas: Durante o desenvolvimento do projeto, os alunos concluíram que aquilo que eles consideravam como “valões de esgoto”, espalhados pela cidade, na verdade eram rios, que durante o processo de urbanização foram canalizados, escondidos no subsolo, sob a influência de modelos que pouco levaram em conta os fluxos e processos naturais, transformando os rios urbanos em canais artificializados, de cor e cheiro desagradável, sem vida animal ou vegetal. Isso levou ao seguinte questionamento: É possível a recuperação desses rios? É possível, ao menos, buscar formas de ressignificar a relação dos habitantes com esses corpos d’água que, embora degradados e escondidos, continuam existindo no território?
Fomos em busca de respostas e, através de muita pesquisa nas aulas de Geografia e História, observamos que as mudanças de atitudes perante as questões ambientais, aos poucos vem construindo uma nova cultura de valorização dos rios urbanos. Encontramos exemplos internacionais e nacionais, que podem servir de inspiração para o desenvolvimento de ações em nossos rios, lembrando que é preciso considerar as particularidades da nossa realidade urbana, que pode se tornar ainda mais complexa quando se considera a vulnerabilidade social e ambiental, caracterizada pela ocupação irregular das áreas periféricas da cidade e uma vasta degradação ambiental sem a devida fiscalização. Não basta se pensar em soluções inovadoras e criativas de infraestrutura dos nossos recursos hídricos, é necessário enxergar o problema a partir de um olhar multisetorial e reconhecer que existem variadas causas, cujas respostas exigem planejamento e vontade política para se pensar em soluções que não apenas desacelerem a degradação dos recursos hídricos, mas gerem mudanças sociais.
A que conclusão chegamos? Cabe aos pesquisadores, ao poder público (como representante legal da população), e a cada cidadão (como parte de sua cidade) assumir um papel decisivo para a construção da cidade sustentável que se deseja.